Valquiria Mac-Dowell
Intercambios

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Intercâmbio: onde me hospedar?

A hospedagem domiciliar é a principal característica do programa de intercâmbio.  Brasileiros que fazem intercâmbio são classe AA, A e B e esperam ser colocados em casas de família com o mesmo padrão financeiro. Porém, as famílias que recebem intercambistas são pessoas de classe média que oferecem uma casa simples mas com um conforto muito diferente do que o jovem está acostumado. 

E qual a melhor opção de família a voluntária ou a remunerada?

As interpretações divergem.  Uns dizem que a família remunerada só recebe o estudante para ganhar dinheiro.  Será mesmo?  Uma família, dependendo do país e da cidade, recebe entre US$ 400 e US$ 900 por mês.  Isso não sustenta ninguém! Adolescente gasta:  toma banhos prolongados, come demais...  Hoje então nem se dão conta dos gastos decorrentes com internet, wi-fi, etc.

Se for necessário trocar, os homestays departments das escolas tem um cadastro grande de famílias remuneradas e facilmente encontrarão uma substituição.

Já a família voluntária tem que arcar com todas as despesas do estudante sem ter nada em troca e muitas vezes no meio do caminho percebem que não estavam preparadas para sustentar mais uma pessoa e os problemas começam a surgir:  diminuem a comida, o convívio se torna mais áspero.  E se precisar mudar de família é muito mais difícil encontrar uma outra que esteja disposta a receber voluntariamente um hóspede. 

As expectativas dos intercambistas são bem fora da realidade. O jovem sempre imagina que sua família vai morar em uma mansão estilo Beverly Hills e vai se decepcionar ao deparar-se com uma casa simples nos bairros fora do centro da cidade.   

A família anfitriã também corre o risco de se decepcionar.  A expectativa deles é igualmente grande com relação ao futuro hóspede.  Certamente haverá uma enorme diferença de classe social, econômica, cultural e até mesmo religiosa. Mas as decepções e frustrações desaparecem quando o jovem, a família anfitriã e os pais naturais enfrentam os problemas com paciência, tolerância, curiosidade e humor.  Isso leva para mais longe como avaliar os motivos de conflitos entre nações e pensar em meios de construir um mundo melhor. O intercambista é primordialmente um embaixador!

O intercambista precisa estar consciente que a família anfitriã não vai mudar a rotina porque ele chegou.  Vão manter os hábitos, os horários, a alimentação.  Não há concessões. Intercâmbio é adaptar-se à nova vida.

O nível de conforto nunca será o mesmo. As casas são padronizadas, simples. Não serão tão impecavelmente limpas e organizadas como no Brasil.  As noções de limpeza são bem diferentes. Não há empregadas domésticas por isso todos dividem os afazeres da casa.  Muitos estudantes levam um choque quando chegam.   Mas se acostumam. 

A vida social é completamente diferente.  A família não está obrigada a programar viagens e passeios constantemente para mostrar o país.  Famílias são simplesmente hospedeiros. A partir dessa visão será mais fácil entendê-los.

Os pais acham um risco os filhos se hospedarem na casa de estranhos.  Mas pensem também no lado deles. Quem é essa pessoa para quem eles vão abrir suas casas, oferecer o convívio do seu lar, compartilhar sentimentos?

Por acaso, o intercambista coloca na ficha de inscrição que é um chato, malcriado, desobediente, usa drogas, é mentiroso, cheio de frescura, bagunceiro, enjoado para comer, acostumado a dar ordens, ronca, folgado, não respeita os mais velhos, joga lixo no chão....  A via é de mão dupla.  Os riscos ocorrem para quem recebe também.

Por que uma família decide receber um intercambista?  Muitas vezes porque querem conhecer novas culturas e não tem condições econômicas de viajar pelo mundo.  Ou porque acham que podem contribuir para a educação de outros jovens.  Ou porque os filhos casaram, foram morar em outra cidade e a casa está vazia mas seus corações ainda estão cheios de amor para dar, querem movimento na casa.  Eles também tem suas expectativas reais e irreais a respeito de seus hóspedes.  Quando ambos se propõem a se colocar no lugar do outro o resultado é surpreendente. 

As Boarding Schools oferecem hospedagem no campus e procuram criar uma atmosfera familiar para os alunos em um ambiente internacional, o que contribui para o processo educativo da escola como um todo. 

Viver em um internato tem hora para tudo:  hora para acordar, hora para tomar banho, hora para estudar, hora para comer, hora para dormir. Tem que ser assim senão vira bagunça.

O dormitório é a casa do estudante. Todo estudante tem direito ao sossego, silêncio, privacidade, respeito pelos seus sentimentos e pertences. Quando esses valores são observados a vida no dormitório aproxima os colegas e faz grandes amigos por toda uma vida. O colega de quarto tem ideias, língua, hábitos alimentares, religião, forma de vestir e tradições completamente diferentes. Aprender a conviver e a respeitar pessoas tão estranhas são oportunidades únicas. 

Embora o preço dessas escolas seja bem salgado, os dormitórios são simples, a mobília composta de cama, mesa e cadeira e um armário de 2 portas, para desespero das meninas. Os quartos podem ser individuais, duplos, triplos ou quádruplos e o banheiro quase sempre compartilhado. Oferecem pensão completa:  café da manhã, almoço e jantar apresentados na forma de buffet de pratos quentes e frios, composto por legumes, verduras, salsicha, hambúrguer, frango, carneiro, peixe.  Bifão, feijoada e guaraná, só quando voltar. Se alguém precisar de um “reforço” dá para comprar chocolates, biscoitos e deixar no quarto para quando a fome apertar. 

Qualquer que seja a escolha, a experiência é sempre enriquecedora.  Entre de cabeça, desarmado, viva um dia de cada vez, tire as melhores lições para a sua vida. 

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